Palestra na Escola Internacional Saci

Eu e a professora Eliane Bettocchi Godinho do IAD (Instituto de Artes e Design) da Universidade Federal de Juiz de Fora demos uma palestra ontem nas Escola Internacional Saci, em Juiz de Fora, sobre “Sexualidade e Gênero – o fim precoce da infância”.

Abordamos como o marketing infantil atua sobre crianças de 5 a 7 anos estimulando um consumismo que pode levar ao reforço de estereótipos de gênero e problemas de saúde por uso de cosméticos e salto alto por crianças.

Na fase de 5 a 7 anos a criança alarga seu círculo social para além da família, principalmente na escola, buscando ser aceita pelo grupo e formar um círculo de amizades na turma. O marketing infantil para essa faixa etária atua associando o “pertencimento social” à posse de determinado produto. A criança não é mais aceita por “ser” e sim por “ter”. Reduz-se a aceitação por ser boa em futebol ou queimada, por ser engraçada, por ser meiga, por ser carinhosa, por ser valente, por ser boa desenhista e aumenta-se a aceitação por ter a melhor bola, por ter o tênis ou a boneca da moda, por ter um celular, por ter salto alto. Ocorre então um bullying por exclusão, particularmente forte com as meninas, em que a criança não é chamada para brincar ou mesmo festas de aniversário. Um modelo de beleza, normalmente com cabelos loiros lisos, salto alto e maquiagem é imposto.  Isso gera problemas de autoestima para as crianças que não se adequam ao padrão por diferenças físicas (cabelo crespo) ou por questões financeiras. O dia do brinquedo, voltado para o companheirismo e partilha, tem de ser vigiado de perto para não ser pervertido para uma competição do “eu tenho, você não tem.”

É importante lembrar que a criança, ou o adulto, não compra o produto (brinquedo, roupa) em si, mas a fantasia que é a ele associada: ser popular, ser valente, ser bela, voar, brincar com a família. Quando a fantasia não acontece isso gera frustração e o desejo por novo produto na esperança de realizar outra fantasia ou talvez a mesma.

Uma possível solução é atentar para o problema, alertar a criança de que comerciais tentam vender produtos (afinal, nós já as avisamos para não confiar em estranhos na rua, podemos também avisar para não confiar na TV), reduzir o tempo de TV e propor alternativas de diversão como passeios a parques, jogos em família etc.

É importante observar que essa erotização do universo infantil pode ter favorecido a proliferação de imagens de pedofilia no Facebook e em outras redes sociais.

Para saber mais sobre o assunto

“A criança e o Marketing”. Ana Maria Dias da Silva. Luciene Ricciotti Vasconcelos. Summus Editorial.

http://www.consumismoeinfancia.com/

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