Projeto de Situações Didáticas

Eu prefiro o termo “projeto de situações didáticas” em vez de “design instrucional”, apesar da consagração do segundo no uso comum, para evitar anglicismos desnecessários e por julgar que “didático” um adjetivo que se aproxima mais da postura construtivista do que “instrucional”.

O campo do projetista é aqui entendido como o da “configuração de objetos”, o qual compreende tanto o processo (configurar) como seu resultado (a figura) e ambos pertencem à relação que se estabelece entre sujeito e objeto, relação que ocorre dentro de um ambiente que envolve o objeto, o sujeito, a própria prática do projetista. O objeto então é visto como qualquer artefato que resulte da aplicação da vontade do sujeito.

O Projeto de Situações Didática tem como meta a aplicação do know-how do Projetista  a serviço da educação. Por exemplo, no projeto de um livro didático do Ensino Fundamental; na elaboração das personagens de um livro de Geografia, História etc; contribuindo para a educação a distância ao buscar a adequação entre conhecimentos e formato apresentados para a construção de competências e processo de aprendizagem; na elaboração de uma história interativa para fins educacionais em suporte impresso ou digital.; na elaboração de um jogo de tabuleiro para educação no trânsito. Etc.

O Projetista Educacional ou Didático preocupa-se que a forma dada ao objeto não traia a perspectiva pedagógica prevista na proposta educacional. Por exemplo: um jogo de tabuleiro para crianças ou um livro didático em que todas ou quase todas as personagens sejam brancas traz um discurso racista subjacente; o uso recorrente da palavra “homem” no sentido de humanidade traz implicações que só a visão masculina de mundo conta; um curso que não abra espaço para a produção criativa por parte dos alunos tende a ser direcional e não construtivista. O uso de recursos de linguagem mais adequados, adequação do suporte, dinâmicas para criatividade e competências, almejando uma poética do saber que permita e estimule que o educando crie “a partir de”, escapando dos objetos em que se busca apenas o “produzir sobre”.

Todas são questões às quais educadores e designers precisam estar atentos, desenvolvendo a sensibilidade necessária para que os objetos criados contribuam para a aprendizagem pretendida.

Situação Didática: Componentes e Dinâmica

Imagem -Síntese de uma Situação Didática com seus componentes (objetos didáticos, agentes, usuários, fundamentos pedagógicos) e Dinâmica (competências mobilizadas e construídas, contexto; situação em sala, situação adidática e institucionalização).

Objeto Didático

Roman Ingarden apresenta na fenomenologia estética o conceito de objeto estético como distinto do objeto físico, mesmo podendo ser gerado a partir dele. O objeto físico em uma pintura é a tela e os pigmentos, em uma música as vibraçõe sonoras, em um livro as páginas e a tinta, em um site a impressão visual e os efeitos alcançados ao clique e assim por diante.

O objeto estético se forma na pessoa, no receptor que entra em contato com a obra primeiramente pelos seus sentidos. É assim que ocorre a experiência estética. Se não ouver essa experiência, a obra não passa de um objeto físico para a pessoa, nada lhe diz artisticamente. O objeto estético pode se formar no receptor independentemente da existência do objeto físico, relembrando-o ou apenas imaginando-o. Requer, portanto, um investimento de tempo e esforço mental, bem como certo repertório da parte do receptor.

Um objeto didático ocorre quando determinado objeto físico, real ou virtual, consegue mobilizar uma aprendizagem no educando, seja pela mobilização de uma competência, seja, mais ainda, para a construção do conhecimento e competência. Um objeto didático simples pode ter a função de fixação do conhecimento, levando a uma produção sobre. Um objeto didático mais elaborado almeja uma criação a partir de.

 

Deixe um comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.