Escolha

O ônibus para diante do escritório da indústria Energia e Construção (E&C) para a visita guiada. Uma representante envergando um uniforme impecavelmente alinhado, e loiros cabelos reluzentes espera por vocês com um sorriso tão brilhante que poderia estar num comercial de pasta de dentes.


Para continuar jogando a aventura solo e criar sua personagem, role para baixo.


Para criar sua personagem diretamente, entender e praticar a sustentabilidade nas suas vertentes economicamente viável, culturalmente diversa, socialmente justa e ecologicamente correta, consultar e publicar material, clique nos seus respectivos ícones:

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Fachada

– Bem vindos! Meu nome é Bianca, eu serei sua guia aqui na E&C. É um prazer recebê-los! Nós preparamos um lanche para receber vocês. Devem estar com fome depois da viagem até aqui!
A notícia é recebida com alegria e vocês vão para o elegante prédio com largas portas de vidro, piso em porcelanato, paredes lisas e uma sala de espera com poltronas pretas. Na recepção, vocês entram sem precisar se identificar para as recepcionistas e logo passam pelas roletas de controle. Tudo cheira a modernidade, tecnologia e eficiência.
O caminho para o refeitório passa por um corredor marcado por quadros com fotos locais, esquemas de desenvolvimento da hidrelétrica, pôsteres mostrando como o projeto beneficiará a região e latas de lixo cuidadosamente separadas para facilitar a reciclagem. “Esta é uma empresa ambientalmente consciente” são os dizeres escritos em várias placas pelo caminho.
O refeitório é amplo e um saboroso lanche é servido: sanduíches e suco de frutas.
– O hambúrguer do sanduíche foi frito com óleo de canola, muito mais saudável. O suco foi feito com frutas da região. – diz Bianca animada.
– Eu li que o óleo de canola é artificial e que o mais saudável seria usar óleo de coco. – observa um dos visitantes.
– A gente lê tanta coisa diferente com a internet e a cada dia a Ciência traz uma descoberta nova. Fica difícil acompanhar, não é? – responde Bianca com um sorriso – Mas, toda a nossa alimentação é determinada por nutricionistas qualificadas. Pode ficar tranqüilo.
Após o lanche, vocês vão visitar as instalações. Bianca enfatiza o quanto a hidrelétrica a ser construída desenvolverá a região trazendo empregos e melhorias para a população. Ela parece ser bem convincente, porém, quando vocês estão saindo dão de cara com várias pessoas protestando. Desconcertada, Bianca tenta se explicar:
– Sempre tem gente querendo criar confusão. Mas, o projeto da hidrelétrica teve seu Relatório de Impacto Ambiental, o RIMA, aprovado. Vocês devem ir ao hotel e amanhã poderão passear de barco no rio e…

Ativismos

O Estudo de Impacto Ambiental do RIMA não foi feito corretamente. Nós o estamos contestando na justiça! – esbraveja um homem branco de óculos – Diversas espécies vão ser ameaçadas. Muitos animais e plantas morrerão com a barragem. Sem falar que o alagamento pode aumentar muito o risco de dengue.

E a população? Muitas pessoas que moravam aqui há anos tiveram que sair! Outras venderam suas terras para a E&C a preços baixíssimos porque achavam que suas propriedades iam ser alagadas com as barragens. – contesta uma mulher morena.

Um homem vestindo camiseta e bermuda, moreno de olhos amendoados se adianta: o meu povo vive nessa região há séculos! Além da minha comunidade indígena há também comunidades quilombolas. Não podemos simplesmente sair daqui. Nossos ancestrais viveram aqui, essa terra não é só terra para nós. As obras trouxeram álcool, doenças e violência. E os quilombolas que vivem abaixo da represa também serão afetados porque o rio será afetado. Nossa cultura pode se perder!

Uma mulher negra se coloca ao lado do índio e levanta o braço mostrando um relatório: esta hidrelétrica tem como único objetivo atender a uma indústria metalúrgica! Após sua construção os empregos gerados com a obra não vão permanecer e a energia gerada mal vai beneficiar a região. Podemos nos desenvolver muito mais criando uma união de cooperativas de pesca, agricultura, artesanato e por meio do turismo. Uma economia integrada viável que sustentará a todos no longo prazo.

A representante da E&C fica nervosa e coloca vocês rapidamente em um ônibus da empresa que leva todo mundo para um hotel na pequena cidade que fica ali perto. Ela promete que amanhã vocês farão um belo passeio de barco pelo rio e vai embora. A situação é tensa. Vocês então são liberados para passear pela cidade.

seu ativismo

Você está caminhando pela praça quando vê os quatro manifestantes conversando com mais algumas pessoas debaixo de uma árvore. Depois o indígena, o homem de óculos e a mulher negra vão embora, cada um por um caminho, enquanto a mulher morena se senta no banco e pega o telefone. Cada um deles tem uma preocupação diferente: o homem branco de óculos com os impactos ambientais sobre a natureza; a mulher morena com a injustiça que os moradores estão sofrendo; o indígena com a possível destruição da cultura de seu povo e dos quilombolas; a mulher negra em encontrar uma alternativa sustentável para o desenvolvimento da região.

E agora? Por qual questão você se interessa mais? Quem você gostaria de acompanhar?


Eu sou o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo. José Ortega y Gasset (1883-1955). Filósofo

Pra quem quiser outra opinião: Ilha das Flores: depois que a sessão acabou

De acordo com a a Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ca. 1980), SUSTENTABILIDADE é o “desenvolvimento que dá respostas às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de as gerações futuras darem respostas às suas proóprias necessidades”. Inicialmente, a definição de sustentabilidade foi fundada em três pilares: econômico, ambiental e social. Em 2001, Jon Hawkes, (The Fourth Pillar of Sustainability – Culture’s essential role in public planning) defendeu “a importância primordial da cultura e seu valor inestimaável para avaliar o passado e planejar o futuro”, resultando na inclusão da cultura como o quarto pilar da sustentabilidade.
Existe muita discussão acerca das definições de sustentabilidade, portanto disponibilizamos, no final da página, algumas referências para que você construa a sua definição.
Nós seguimos a ideia de “sustentabilidade” surgida na Biologia, onde esse conceito é usado para medir o quanto certo ambiente ou ecossistema suporta mudanças sem ser totalmente destruído com a intenção de preservar esses ambientes. O mundo vive hoje uma crise sem precedentes de sustentabilidade, o que significa que corremos sério risco de nos destruirmos.
Nós chegamos a esse ponto porque os atuais níveis de consumo exigem um volume de produção gigantesco de produtos, o que consume muita energia e matéria prima e gera uma quantidade imensa de lixo e poluição.
A crise da sustentabilidade precisa ser entendida em dois eixos: espaço e tempo.

  • Espaço: por que os problemas surgem em uma área devido a problemas que ocorreram em outro lugar. Ex: degelo ártico atinge as nações ilhas do Pacífico; água parada em uma construção vira foco de dengue que atinge as casas em volta; desmatamento ao redor da nascente de um rio causa uma seca a quilômetros adiante ao afetar os lençóis subterrâneos e o ciclo de chuvas.
  • Tempo: o que ocorre hoje é resultado de efeitos passados e causa de efeitos futuros. Por exemplo, o desmatamento de uma encosta para construção anos depois causa um deslizamento em que morrem pessoas; consumo desenfreado hoje gera endividamento e exaustão de recursos amanhã; a construção de um condomínio que mata uma nascente afeta o nível de um reservatório de água na época da estiagem.

Para piorar, a desigualdade social agrava os problemas ambientais, pois as populações que mais sofrem com elas são justamente as mais pobres, ignorantes e desassistidas. Além disso, se a pobreza acabasse e todos pudessem consumir como a classe média simplesmente não haveria recursos para atender a todos. O mundo acabaria.
Atualmente o debate propõe duas soluções diferentes para o problema:

  • Solução Tecnológica: ajustar o sistema econômico por meio de tecnologias que tentem diminuir os impactos da produção, despoluir rios, reaproveitar e reciclar recursos naturais etc. Enfim, fazer mais, gastando menos e afetando muito menos o meio ambiente.
  • Solução Político-Social: fortalecer a democracia e propor mudanças no modelo econômico atual na direção de um modelo que desenvolva igualmente as quatro dimensões da sustentabilidade. Ou seja, rever nossos valores e padrões de consumo.

A crise da sustentabilidade tem aspectos ecológicos, econômicos, sociais e políticos, por isso se diz que ela tem pelo menos quatro dimensões. São elas:

As duas aventuras a seguir são introduções ao cenário, por isso não são ambientadas em lugares específicos. A proposta é que, após jogar, os participantes identifiquem os problemas específicos das suas regiões e procurem transformá-los em narrativas lúdicas como essas.

  • AVENTURA SOLO Muiraquitã: encarte de jogador/a com regras de criação de personagem para baixar e imprimir frente e verso. A aventura solo pode ser ambientada em qualquer lugar ribeirinho que esteja sob ameaça de construção de uma represa.
  • AVENTURA PRONTA Muiraquitã: encarte de mestre com instruções de uso, regras do RPG para baixar e imprimir frente e verso. A aventura pronta pode ser ambientada em qualquer lugar que tenha uma área de preservação ambiental dentro de perímetro urbano.
  • Cartas de forma mística para preencher com as informações mágicas da sua personagem.

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