Culturalmente Diverso

Você corre e alcança o homem indígena:
– Com licença, eu estava com o grupo estudantil que visitou a empresa e ouvi o que você falou. Mas, eles nos disseram que todas as perdas materiais serão ressarcidas.
– E as perdas imateriais? Como poderão ser recuperadas? – retruca o indígena.
– Perdas imateriais?
– As perdas materiais são casas, terrenos, comércio, templos, coisas concretas. Mas, uma represa destrói mais do que isso. Há perdas que não são vistas, mas são muito sentidas! As pessoas que são obrigadas a deixar suas casas, a abandonar o local onde vivem há anos perdem o contato com vizinhos e amigos de infância, até com parentes. Isso afeta o emocional dessas pessoas que ficam solitárias e deprimidas.
– Você sabe qual é a resposta para seus problemas, Pedro. – Interrompe um homem loiro de altura mediana, vestido com uma camisa de botão e calça jeans.
O indígena se vira para você e diz:
– Pedro, é meu nome para lidar com gente da sua cultura. A minha etnia é…
– Não sei por que você resiste tanto ao chamado, Pedro. O seu povo não sofreria se você…- retoma o loiro falando mais alto.
– Você já sabe qual é a minha resposta, Vítor. – retruca Pedro – Você tem o seu caminho e eu tenho o meu.
– Só há um caminho! Você tem que…
– Agora chega, Vítor. Todos têm que ser respeitados. – diz um homem negro que se aproxima tocando Vítor de leve no ombro.
– Agradecido, pastor Vinícus – cumprimenta Pedro.
– Desculpe por isso, Pedro. Até outra hora.
– Não por isso, pastor. Até.
O loiro segue com o homem negro aceitando sua autoridade. Pedro volta a olhar para você:
– O pastor Vinícius é um pastor evangélico sério e responsável. Ele não concorda com gente como Vinícius que sai abordando pessoas falando alto pela rua. Vinícius sabe que isso é um desrespeito que não só pode virar um ato de intolerância religiosa só traz uma imagem de fanático que não ajuda em nada a converter alguém.
– Tem razão. Mas, você estava falando das pessoas que ficam deprimidas ao terem que sair das terras onde sempre viveram.
Pedro suspira e depois responde com um leve sorriso:
– Para nós indígenas, e o mesmo vale para os quilombolas e outros grupos tradicionais, essa questão é ainda mais grave. Nós fomos sendo explorados e escorraçados por séculos. E essas não são apenas terras para nós, temos uma ligação espiritual com elas.
Ele gesticula e mostra as árvores da praça.
– Veja a praça, ela parece ter tantas árvores que se tirar uma não fará diferença, não é mesmo? Mas, a cada árvore removida da praça ela perde em vida e diversidade, se tornando menos do que era. Até que de árvore em árvore ela vira um deserto. Do mesmo modo, a perda de cada cultura que forma a cultura do Brasil torna o país menor e mais pobre.


cdAo escolher ajudar Pedro, você se interessou pelo VALOR CULTURALMENTE DIVERSO da Sustentabilidade. Escolha uma dentre as opções abaixo de IDEALISMO que será o combustível mobilizador do seu ativismo:

      • Tolerância: age em prol da aceitação de que há diferentes opções de gênero, sexualidade, religião etc. Defende o direito das pessoas de viverem de forma diversa dos modelos estabelecidos pela tradição social e/ou pelo mercado.
      • Preservação: age para preservar o patrimônio imaterial, tanto o que está ativo, quanto aqueles saberes e habilidades tradicionais que podem estar se perdendo como técnicas artesanais, histórias e tradições de povos desfavorecidos etc.

Você para pensar olhando a sua volta. Pedro fica em silêncio e então diz:
– Recentemente apareceu por aqui a ONG Muiraquitã oferecendo apoio à nossa luta. Pretendo fazer para essa ONG uma série de vídeos para divulgar para o mundo o que está acontecendo aqui. Contudo, uma amiga me avisou que estão fazendo um piquete na estrada para impedir que os caminhões com o material para as obras passem. Se quiser me ajudar, o que prefere fazer?


Os vídeos OU O piquete


 

Pedro é um cineasta documental que usa o video para falar dos seguintes assuntos: o conceito de perdas imateriais e patrimônio imaterial mostrando a importância da preservação da cultura não somente para o acervo cultural para o país como para a própria identidade e saúde da comunidade a questão da tolerância religiosa; a ênfase nas relações socioculturais e simbólicas que transformam um espaço físico em um lugar; como comunidades tradicionais podem ter uma relação com a terra que difere da visão unicamente de subsistência ou lucro prevalecente na cultura ocidental atual; a sugestão da ideia de História Viva pelas relações entre passado, presente e possível futuro. Repare que ele é chamado de “indígena” em vez de “índio”, conforme perspectiva do Movimento Indígena contemporâneo (http://pib.socioambiental.org/pt).