Marco Silva propõe que a forte emergência atual da interatividade se deve à imbricação de fatores em três instâncias: tecnológica, mercadológica e social. Um caminho para se compreender o fenômeno seria através da epistemologia da complexidade de Edgar Morin. Este, por sua vez, ressalta a necessidade da religação dos saberes, valorizando outras formas de conhecimento além do científico, técnico, prosaico, apontando para os saberes poético, místico, irracional que deveriam ter seu espaço resgatado. Para Morin, o complexus, aquilo que se tece em conjunto, da vida é um entrelaçamento entre prosa e poesia. Eliana Yunes também assinala a necessidade do resgate de outras fontes de sabedoria além do dito logos científico, sem buscar sobrepujá-lo ou negá-lo, apenas assumindo uma postura em que se renuncia a um saber absoluto para que este se transforme em saberes. O resgate do saber poético seria vital para lidar com os desafios éticos da complexa realidade atual.
Janet H.Murray, em seu livro “Hamlet no Holodeck”, afirma que representar, jogar e contar histórias são componentes ancestrais e definidores de nossa humanidade e também recursos para as tarefas culturais que enfrentamos atualmente. Poderíamos dizer que numa sociedade de indivíduos autônomos, cada um busca ser o protagonista de sua própria história. Portanto, proponho neste artigo trazer para uma reflexão maior as soluções encontradas em narrativas interativas de representação, jogo, e contação de histórias em que há vários protagonistas: os Role Playing Games (RPGs). A proposta não é apresentar soluções para pronta aplicação em outras áreas e sim iniciar debates e reflexões que talvez sejam fecundos. Para este fim trago minha experiência de 16 anos na área dos RPGs comerciais e didáticos num diálogo com os autores acima mencionados.
Uma possível contribuição dos saberes poéticos e prosaicos dos RPG, histórias interativas com vários protagonistas, para projetos transdisciplinares
13 de maio de 2010Sobre projetos lúdico-pedagógicos:
14 de junho de 2009Um projeto lúdico-pedagógico visa integrar duas coisas que à primeira vista são antagônicas: o entretenimento e a educação. Portanto, faz-se necessária uma visão de sistema em que cada parte receba a importância devida e se busque uma integração produtiva entre elas. Caso contrário o que ocorre são brincadeiras que divertem, mas não educam, ou que nem isso conseguem.
Adaptações de um meio narrativo para outro
13 de junho de 2009Adaptações de uma história de um meio narrativo para outro, mais tradicionalmente de um livro para um filme, são muito mais complexas do que simplesmente “filmar as cenas do livro”, mantendo os diálogos. Isso é sabido há mais de 2.000 anos.
O que é jogo
13 de junho de 2009Aparentemente, existe uma controvérsia sobre o aspecto de “jogo” do RPG. Em algumas definições o vemos tratado como “um jogo diferente”, que o “termo jogo é infeliz quando aplicado ao RPG” e até algumas definições que negam o aspecto de jogo do RPG, classificando-o como um método ou brincadeira para criar histórias.1 Para trazermos alguma luz a esta questão é interessante fazer uma breve incursão sobre algumas definições e conceitos de “jogo” num sentido mais amplo.
O que é Narrativa
13 de junho de 2009Já que estamos conversando sobre meios narrativos, resolvi colocar algumas breves definições do que seja narrativa. Temos uma noção intuitiva do que seja contar histórias, mas é bom ter alguns termos técnicos para brincar e o meu post anterior desse tipo sobre cultura fez sucesso. Logo… Como esse é um tema vasto que estudo, aguardem novos posts sobre narrativa.
Comecemos pela do professor Muniz Sodré que é bem didática:
Conto, novela, romance crônica
13 de junho de 2009Breve definição desses gêneros literários
Conto: história curta com poucas personagens com uma idéia central que é desenvolvida ao longo da narrativa. O conto tem um ou no máximo dois temas.
Arquétipo, estereótipo, padrão
13 de junho de 2009Desculpem a longa demora em escrever, estou com muito serviço e pouquíssimo tempo livre. Eu queria pesquisar antes de escrever, mas demorei tanto que o Rod nem deve se lembrar de que me pediu um post para clichês e estereótipos. Então vamos pela minha memória, pois extrapolando de um provérbio kung-fu: “antes feito que perfeito”.
Conhecimento: racionalismo X empirismo
13 de junho de 2009Este post é sobre duas fontes básicas de conhecimento: o racionalismo e o empirismo.
O racionalismo desconfia das informações fornecidas pelos sentidos, crendo que essas são por demais falíveis, que é muito fácil se enganar “ouvindo errado” ou “vendo o que não estava lá”. O caminho correto para o conhecimento seria o bom uso da razão. Um sistema racional elaborado a partir de premissas válidas traria o conhecimento real, a verdade.
Interatividade pede que se reconheça o outro
13 de junho de 2009Interatividade é um termo muito usado atualmente e com vários sentidos. Qual seria a diferença entre interatividade e interação, por que precisamos de uma nova palavra. Entendo, seguindo a definição do professor Marco Silva, que interatividade é uma interação em que há uma co-criação, uma produção conjunta entre as duas ou mais partes envolvidas. Isso implica em ver o outro, uma mudança de paradigma forte para nós.
O que é Crítica
13 de junho de 2009É comum termos uma visão negativa do termo “fulano só sabe criticar” , por isso surgiu a expressão “crítica construtiva”, mas criticar não é o mesmo que falar mal.
Vamos primeiro à definição do termo:
Crítica – a palavra crítica (do grego crinein) significa separar, julgar. A crítica é uma avaliação que julga o mérito estético de uma obra de arte, a lógica de um raciocínio, a moralidade de uma conduta etc.