Desculpem a longa demora em escrever, estou com muito serviço e pouquíssimo tempo livre. Eu queria pesquisar antes de escrever, mas demorei tanto que o Rod nem deve se lembrar de que me pediu um post para clichês e estereótipos. Então vamos pela minha memória, pois extrapolando de um provérbio kung-fu: “antes feito que perfeito”.
Brevemente:
Arquétipo é um termo derivado da teoria do psicanalista suíço Carl Jung que se utilizou de várias mitologias para entender o processo psicológico inconsciente dos seres humanos. Jung acreditava num inconsciente coletivo, compartilhado pela humanidade, onde estariam armazenados os arquétipos. Daí as similaridades, os padrões recorrentes nas várias lendas, mitos e religiões. Arquétipos então são essas idéias, conceitos comuns, evocações presentes em cada um de nós.
Uma outra maneira de trabalhar com os arquétipos é considerá-los como conceitos compartilhados, consciente ou inconscientemente, pelos membros de uma cultura.
Podemos considerar que os estereótipos são as “formas” dadas a esses conceitos. Por exemplo, para o arquétipo “mago” temos o estereótipo “velho sábio de longas barbas que usa um manto”. Gandalf e Dumbledore são estereótipos de magos.
Clichê é um termo que como estereótipo se deriva da tipografia. Ele tem um alcance um pouco mais amplo que o estereótipo, apesar de se confundir com ele no que se refere a personagens, caso do mago acima. Clichês também são aplicados a narrativas. Por exemplo, triângulos amorosos são um elemento recorrente das novelas e filmes brasileiros. Assim com ter uma personagem prostituta. Podemos dizer que são clichês. Romances entre a moça pobre e o rapaz rico, ou vice-versa, também são clichês. Um cara bronzeado que gosta de praia e festa e não é muito chegado ao trabalho seria um clichê ou um estereótipo de “carioca”.
Quando bem usados clichês e estereótipos são elementos facilmente reconhecíveis, dão algum chão, alguma sensação de conhecimento e conforto para o leitor/expectador, principalmente se o ambiente for inusitado, diferente – caso de histórias de terror, fantasia ou ficção científica.
O perigo ocorre quando os estereótipos começam a fazer com que as pessoas tomem por “naturais” coisas que são na verdade “culturais”. Nesses casos, o chão vira areia movediça. Essa é a fonte de diversos preconceitos.
Lembremos que: um carioca pode ser trabalhador, um mago pode ser jovem, uma mulher pode ser policial, um homem heterosexual pode ser estilista e um homosexual pode ser fuzileiro naval, um paulista pode ser farrista, um jogador de futebol pode ser culto, um negro budista e um branco do candomblé e por aí vai.