Meu processo de escrita

George RR Martin ao falar sobre seu processo de escrita se refere a dois tipos de escritores: jardineiros e arquitetos.
Os arquitetos fazem um projeto (outline) da sua obra literária com personagens principais e secundárias, enredo estruturado (começo, desenvolvimento, clímax, desfecho, ou usando a jornada do Herói ou outro método). Ou seja, antes de escreverem a obra propriamente dita, os arquitetos já sabem praticamente tudo o que vai acontecer em termos de enredo e personagem
Os jardineiros, por sua vez, sabem apenas em linhas gerais o que vão escrever. Sabem se estão plantando uma roseira ou uma goiabeira. Mas, vão descobrindo enredo e personagens conforme vão escrevendo e muitas vezes se surpreendem.
George Martin se define mais como um jardineiro do que arquiteto (https://winteriscoming.net/2017/03/24/small-council-gardeners-vs-architects-whats-the-better-way-to-write-fiction/)
Brandon Sanderson usa os termos discovery writers X outliners (descobridores X projetistas), que é basicamente o mesmo conceito de jardineiros X arquitetos. (https://www.youtube.com/watch?v=glPLTNuhfxA) Ele afirma que cada escritor escreve à sua maneira, obedecendo apenas alguns princípios básicos, alguns modelos, principalmente se estiverem começando.
Há um debate grande entre usar ou não um outline ou não. Cada método tem seus riscos e vantagens.
Arquitetos ou projetistas tem uma visão do todo e evitam problemas como perder o ritmo no meio da história, mas tem o risco de ficarem rígidos. Ou ainda de sofrerem de “world building disease” ou seja criarem mundos extremamente detalhados (História, Geografia, Cultura, Magia etc) e querer jogar isso de forma entediante sobre seus leitores.
Os jardineiros tem maior espaço criativo, mas isso justamente pode fazê-los perder foco ou fazê-los ficar reescrevendo várias vezes. Também pode fazer com que a história tenha um desfecho insatisfatório porque para eles a história simplesmente parou ali.
George RR Martin e Stephen King se vêem como descobridores. Orson Scott Card e Kevin J Anderson são projetistas.
Brandon Sanderson se classifica como sendo descobridor para personagens e projetista para o enredo.
Particularmente, eu faço uma dança entre os dois métodos. Posso começar com uma cena, uma visão de personagem e aí faço um breve esquema e escrevo a 1a versão. Frequentemente, a 1a versão tem apenas os eventos da história e uma visão geral da personagem. Depois, mergulho em tema e personagens, saio explorando, descobrindo, o que pode trazer grandes mudanças levando a uma revisão geral do projeto inicial ou até mudança de projeto. O ponto principal para mim é procurar o conflito, seja interno ou externo, pois é lá que encontrarei o drama, a dor, que combinada com o cotidiano, e por vezes o humor, trará humanidade para a história.