Rosa Mascate

Rosa faz o circuito comercial entre a cidade de Tarini e o território mapuno levando e trazendo produtos diversos e fofocas. Também atua como curandeira itinerante e vende a cerveja que ela própria fabrica. Está sempre acompanhada da suindara Nazuma, que dizem ser uma Rasga-mortalha.

 

Diz a lenda que uma jovem nativa de pele estranhamente branca, chamada Suindara, trabalhava como carpideira (mulheres com mais de trinta anos pagas para chorarem em velórios) e era filha de um temido xamã chamado Eliel. Por conta de sua sabedoria e pele branca todos a conheciam como “Coruja Branca”.

Os problemas da jovem iniciaram quando ela começou a namorar às escondidas o primogênito da baronesa Elizabeta de Getzi. A baronesa era temida por sua rigidez e, dizem, por atrair pessoas jovens para trabalhar no castelo, aprisoná-las, torturá-las e beber seu sangue. Se o romance fosse descoberto, jamais seria aceito pela baronesa, mas Elizabeta acabou descobrindo.

A baronesa mandou que uma criada, em troca de liberdade, contratasse a carpideira para um velório numa cabana no ermo da floresta. Assim que Suindara chegou no local combinado, foi assassinada pela criada, que a enterrou no quintal e fugiu.

Desconfiado da demora da filha, Eliel conjurou espíritos e acabou descobrindo que a mandante do assassinato de sua filha era a baronesa. Foi aí que ele resolveu executar um poderoso ritual para se vingar da assassina. Eliel descobriu a cova de sua filha e executou sua magia. O espírito da moça penetrou numa estátua de cerâmica de coruja branca que ele havia entalhado e fez com que ela criasse vida própria. A coruja saiu voando pela aldeia e foi até a sacada da janela do castelo onde dormia Elizabeta, começou a piar um canto estranho, semelhante ao som de roupa de seda sendo rasgada. Durante toda a noite a aldeia ouvia assustada o som aterrorizante da ave. No dia seguinte a baronesa foi presa por soldados do Império Varini sob acusação de sequestro e tortura de jovens criados e criadas do castelo. Ela foi emparedada viva em seu quarto, recebendo água e comida por um buraco gradeado. Após um ano, amanheceu morta e suas roupas foram encontradas rasgadas, como se alguém as tivesse cortado.

A partir desse evento, a coruja começou a soltar seus piados aterrorizantes sempre que alguém que estava escondendo algo cruel estava prestes a ser morto/a. Até hoje as pessoas ainda temem quando a “rasga-mortalha” sobrevoa suas casas soltando “gritos”, pois bom sinal não é. Existe até um “contra-feitiço” para a maldição da coruja, são palavras que se diz para afastar o agouro do animal: ” Aqui não tem tesoura nem pano, não tem ninguém morando aqui”.

Inspirado em http://pt.fantasia.wikia.com/wiki/Suindara_(Rasga-Mortalha)